Em um compressor de parafuso injetado a óleo, o lubrificante não fica isolado em um cárter: ele é injetado no processo, misturado ao ar quente sob pressão, separado, resfriado e devolvido ao ciclo — muitas vezes por hora. Isso muda qual propriedade importa mais.

O inimigo é a oxidação, não o desgaste

Em um redutor, a preocupação central é o filme lubrificante suportar a carga. Em um compressor de parafuso, os rotores nem se tocam: o óleo veda folgas, retira calor e lubrifica mancais, sob carga relativamente modesta.

O que castiga o óleo é outra coisa. Ele passa boa parte do tempo pulverizado em ar quente e rico em oxigênio, a temperaturas de descarga que frequentemente ficam entre 80 °C e 100 °C. É a condição ideal para oxidação.

Um óleo oxidado escurece, aumenta de viscosidade, forma vernizes e borras e, por fim, obstrui o elemento separador. O sintoma que chega ao operador costuma ser indireto: consumo de óleo subindo, pressão diferencial do separador aumentando, temperatura de descarga mais alta.

Um aumento de 10 °C na temperatura de operação tende a reduzir pela metade a vida útil do óleo.

É a razão prática pela qual trocador de calor sujo e sala de compressores mal ventilada encurtam o intervalo de troca sem que nada tenha mudado no lubrificante.

O que DIN 51506 VDL significa

A norma alemã DIN 51506 classifica óleos para compressores de ar em níveis crescentes de exigência — VB, VBL, VC, VCL e VDL. A diferença entre eles está no ensaio de estabilidade térmica e de formação de resíduo carbonoso a que o óleo é submetido.

VDL é o nível mais severo da norma e o mais citado em manuais de compressores de parafuso e de pistão. Quando o manual pede VDL, está pedindo um óleo que comprovadamente resiste à degradação nas condições do ensaio — não apenas um óleo de viscosidade adequada.

A ISO 6743-3 trata do mesmo assunto por outro caminho, classificando os lubrificantes por tipo de compressor e severidade de serviço. As duas convivem nos manuais, e vale conferir qual delas o fabricante do seu equipamento referencia.

Viscosidade: menos decisiva do que parece

A maioria dos compressores de parafuso trabalha com ISO VG 46 ou ISO VG 68, e quase sempre o manual já diz qual. Vale lembrar o que um grau ISO VG realmente descreve: viscosidade a 40 °C, e nada sobre resistência à oxidação.

Escolher o grau certo e ignorar o nível de desempenho é o erro mais comum nessa categoria. O grau mantém a vedação e a lubrificação dos mancais; o nível de desempenho determina se o óleo chega ao fim do intervalo previsto ou entope o separador antes.

Mineral, PAO ou éster

A base define o intervalo de troca realista:

  • Mineral — menor custo inicial e intervalos mais curtos.
  • PAO (sintético) — maior estabilidade térmica e à oxidação, intervalos consideravelmente mais longos, melhor comportamento a frio.
  • Éster e misturas — usados onde a solubilidade de depósitos ou a temperatura exigem, geralmente com requisitos próprios de compatibilidade.

Os números de intervalo variam muito entre fabricantes e condições, e por isso não substituem o manual. Como ordem de grandeza, é comum ver minerais na casa dos milhares de horas e sintéticos em um múltiplo disso — sempre condicionados à temperatura real de operação e à análise do óleo em serviço.

Misturar bases é o risco subestimado

Completar nível com um produto de base diferente é a causa de falha mais frequente e mais evitável nessa aplicação.

Misturas de PAO com óleo mineral, ou de qualquer sintético com um éster de outra formulação, podem reduzir a estabilidade do conjunto, formar depósitos ou atacar vedações e tintas internas que estavam compatíveis com o fluido original. A mistura muitas vezes parece normal no visor por bastante tempo — o problema aparece no separador e nas vedações.

Na troca de tipo de base, o procedimento é drenar, não completar.

Isso inclui drenar o resfriador e o separador, não apenas o reservatório, e confirmar com o fabricante se há necessidade de flushing.

O que informar ao cotar

  1. Tipo de compressor: parafuso injetado a óleo, parafuso seco, palheta ou pistão.
  2. O grau ISO e o nível de desempenho exigidos no manual — por exemplo, "ISO VG 46, DIN 51506 VDL".
  3. A base em uso atualmente, para avaliar compatibilidade.
  4. Temperatura de descarga típica e horas de operação por ano.
  5. O volume da carga e a frequência de troca prevista.

Na linha de óleos para compressores de ar deste catálogo, a página do produto traz as aplicações e as características exatamente como a documentação técnica as apresenta — inclusive quando o grau ISO não é explicitado na origem, situação registrada na própria página.

Se o manual não estiver acessível, a placa de identificação do compressor com fabricante e modelo já permite começar a consulta.

Fontes consultadas

Consulta às fontes: 06 de outubro de 2026. As referências são documentais e não indicam que essas marcas ou produtos sejam comercializados pela FFL.

Voltar para conteúdos