Quase toda graxa é vendida com um número ao lado do nome: NLGI 2, NLGI 1, NLGI 00. Esse número descreve uma coisa só — o quão firme a graxa é — e muita gente o interpreta como se fosse viscosidade. Não é.

O que o ensaio mede

A escala NLGI se apoia em um ensaio físico simples. Uma amostra de graxa é trabalhada por 60 golpes duplos em um aparelho padronizado e, a 25 °C, deixa-se cair sobre ela um cone de massa e geometria definidas. Mede-se quanto o cone afunda em décimos de milímetro durante cinco segundos. É a chamada penetração trabalhada, descrita na ASTM D217.

Quanto mais o cone afunda, mais mole é a graxa. A faixa medida determina o grau:

  • NLGI 000 — 445 a 475 (praticamente fluida)
  • NLGI 00 — 400 a 430
  • NLGI 0 — 355 a 385
  • NLGI 1 — 310 a 340
  • NLGI 2 — 265 a 295
  • NLGI 3 — 220 a 250
  • NLGI 4 — 175 a 205
  • NLGI 5 — 130 a 160
  • NLGI 6 — 85 a 115 (bloco firme)

Repare que as faixas são todas de 30 unidades, separadas por intervalos de 15. A escala é regular de propósito: foi construída para que dois laboratórios diferentes cheguem ao mesmo grau para a mesma amostra.

Número maior significa graxa mais dura.

É o inverso do que a intuição sugere a quem está acostumado com óleo, onde o número do grau ISO cresce junto com a espessura do fluido mas descreve escoamento, não firmeza.

Por que NLGI 2 virou o padrão

O grau 2 domina a lubrificação de rolamentos por um motivo prático: é firme o bastante para permanecer no ponto de aplicação sem escorrer, e mole o bastante para o rolamento conseguir movimentá-la e formar filme.

Graus mais moles — 0 e 00 — aparecem onde a graxa precisa ser bombeada por longas linhas em sistemas centralizados, ou em temperaturas baixas, nas quais um grau 2 ficaria duro demais para chegar ao ponto. Graus mais firmes — 3 e acima — aparecem em aplicações verticais, com vibração intensa ou risco de a graxa ser expulsa do alojamento.

O dado que o NLGI não informa

Aqui está o ponto que mais causa erro de seleção: a consistência não diz nada sobre a capacidade de lubrificar.

Uma graxa é, essencialmente, um óleo retido em uma estrutura de espessante. Quem forma o filme lubrificante entre as superfícies é o óleo base, não o espessante. E a viscosidade desse óleo base é um dado separado, publicado em cStokes a 40 °C, exatamente como em qualquer grau ISO VG.

Duas graxas NLGI 2 podem ter óleos base de viscosidade muito diferente — uma com ISO VG 100, outra com ISO VG 460 — e se comportarem de maneira completamente distinta no mesmo rolamento. Para selecionar corretamente, a viscosidade do óleo base precisa ser comparada com a exigida pela rotação, pela carga e pela temperatura do mancal.

O espessante importa tanto quanto o grau

O terceiro dado da ficha é o tipo de espessante: lítio, lítio complexo, cálcio, cálcio sulfonato, poliureia, alumínio complexo, argila. Ele define a faixa de temperatura útil, a resistência à lavagem por água e — o que mais gera problema na prática — a compatibilidade com a graxa que já está no ponto.

Misturar espessantes incompatíveis pode amolecer a mistura a ponto de ela escorrer para fora do alojamento, deixando o mancal sem lubrificação. O efeito costuma aparecer semanas depois da troca, quando ninguém mais associa a falha à mudança de produto.

Na troca de tipo de espessante, o procedimento usual é limpar e purgar.

Reengraxar por cima, contando com a saída natural da graxa anterior, só é seguro quando a compatibilidade entre os dois espessantes está confirmada.

Como pedir uma graxa

Uma solicitação completa traz quatro informações, e nenhuma delas sozinha resolve:

  1. O grau NLGI exigido pelo equipamento ou pelo sistema de aplicação.
  2. A viscosidade do óleo base adequada à rotação, à carga e à temperatura.
  3. O tipo de espessante — ou, no mínimo, qual graxa está em uso hoje.
  4. As condições do ponto: temperatura de trabalho, presença de água, carga de choque.

Nas graxas industriais e para chassis deste catálogo, cada página traz o espessante e a faixa de temperatura exatamente como a documentação técnica os apresenta. Onde o grau NLGI não é explicitado na origem, isso está registrado na própria página, em vez de ser preenchido por estimativa — e vale confirmá-lo na ficha técnica antes de comparar com a graxa em uso.

Se ainda não sabe qual produto pedir, descreva a aplicação: equipamento, ponto de lubrificação e condição de trabalho já estreitam bastante as opções.

Fontes consultadas

Consulta às fontes: 06 de outubro de 2026. As referências são documentais e não indicam que essas marcas ou produtos sejam comercializados pela FFL.

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